E chegados aos 23 anos, com licenciatura, emprego, casa e carro, família, amigos, namorado, descubro que toda a minha vida é uma mentira. Descubro que os valores que me foram transmitidos e pelos quais sempre me regi são uma farsa. Descubro que as pessoas que mais admiro são uma fraude. Descubro que o mundo em que vivo nunca existiu na realidade.
As minhas memórias são fachadas, nada foi de facto assim tão puro. Aquilo que vivi e que me tornou a pessoa que sou hoje está cheio de entrelinhas, de frases por acabar.
Aos 23 anos, com licenciatura, emprego, casa e carro, família, amigos, namorado, não sei quem sou, não sei a quem pertenço, não sei aonde pertenço. Muito menos sei quem quero ser, quem irei ser. Não sei para onde vou, com quem vou ou se vou a algum lugar.
A minha vida nem sempre foi cor-de-rosa (facto que muito aprecio, gostei de experimentar outras cores) mas a partir deste fim-de-semana tornou-se negra, simplesmente.