quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Balanço da Psicóloga

Ora, ontem a consulta demorou quase duas horas. Nem dei conta do tempo passar. Ela põe-me a falar com uma facilidade incrível. Conversamos sobre imensas coisas, sobre o trabalho, as relações familiares, os amigos, o namorado. Perguntou-me se conseguia descrever nesta fase o meu sentimento, se há uma emoção que caracterize o meu estado. Respondi-lhe apatia. Ela ficou um bocadinho chocada. Disse que não me achava nada apática. Cansada, esgotada, sim; apática não. Talvez me sinta apática porque não tenho a força que tive em tempos, dizia ela. Pois, não sei! Se calhar é isso. Se calhar não é! Esclareceu-me que mais do lidar com o luto propriamente dito, com a perda das pessoas em questão, tenho de lidar com as marcas que isso deixa, com a influência que isso teve na minha personalidade e atitude. É fofinha! Saio de lá sempre muito calma e tranquila. Ela dá-me tarefas, trabalhos para fazer, para tentar melhorar o meu estado de espírito. Diz-me também para chorar. Sempre que tiver vontade para chorar. "Oh... mas isso eu não faço. Pelo menos não em público." Vou ter de fazer agora pelos vistos. Gabo-lhe o esforço de me tentar pôr a chorar. Vamos ver no que vai dar.

Parte boa da questão, agora tenho desculpa para tudo. A mãe pede para lavar a loiça. "Não posso! A psicóloga disse para não participar em nada contrariada ou que me provoque angústia!" Vamos ao Bar X? "Não posso. A psicóloga disse-me para estar apenas em sítios que goste e me sinta bem." Comes sopa? "Não! A psicóloga disse para não fazer nada que não gosto." Fantástico! :)

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