quinta-feira, 28 de outubro de 2010

6 meses hoje... Quanto mais o tempo passa pior é.


Dizias que nós éramos o melhor presente que Deus te tinha dado. Estavas enganado. O presente que veio de Deus foste tu, para nós.
Agora ninguém me liga para saber se cheguei ao destino ou se a estrada está transitável, ninguém quer saber da prateleira que está quase a cair, ninguém me acorda quando desligo o despertador e adormeço.
Pior do que isso é o simples facto de não te ter, apesar de te sentir. Não ouvir a tua voz, a tua gargalhada, a tua chave na porta, o beijo que davas à mãe, o grito de golo do Sporting. Saber que isso nunca mais vai acontecer dói. Dói também pensar em tudo aquilo que não vamos poder partilhar. A nossa vida continuou, algumas coisas mudaram entretanto, mudarão muitas mais daqui para a frente, e não as podemos partilhar contigo. Não posso saber a tua opinião, ouvir as tuas teorias e explicações, ter os teus incentivos quando as coisas correm mal nem os teus parabéns pelas conquistas.
Sei que tu continuas a acompanhar-nos, a proteger-nos e a cuidar de nós. Apenas de forma diferente, forma que tu escolheste. Respeito-te por isso, apesar daquilo que custa. Respeito-te porque isso foi o que sempre me ensinaste a fazer: olhar para a vida como ela é e não como gostaria que fosse. Respeito porque sei que o amor vai ser sempre mais forte do que a morte. Respeito porque foste sempre o exemplo e serás sempre aquele que vou procurar quando precisar de indicações, aquele que vai consertar o que estiver avariado, aquele que me vai passar a mão pesada pela cabeça quando precisar de acordar.
Mas, apesar de tudo, tenho pena, tanta pena, por tudo ter terminado assim. E tenho saudades, tantas saudades.

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