quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Optimismo irrealista

De há uns anos para cá que, chegada a esta altura, penso: "para o ano será melhor". Acho sempre que no próximo ano terei mais tempo para estar com as pessoas, mais uns trocos para umas prendas mais fofinhas, mais vontade de festejar e mais entusiasmo pela vida. Nesta altura só me vêm as coisas menos boas à memória mas "para o ano será melhor". No próximo ano poderei estar com a família toda - mas mesmo toda - à mesa, poderei estar com todos os amigos e pessoas importantes da minha vida, poderei comprar lembranças e miminhos para todos, farei uma festa enorme, decorarei a casa toda e farei um centro de mesa com velas e enfeites lindos.

Verdade seja dita, a cada ano que passa as coisas só se tornam piores. Tenho menos tempo, menos dinheiro, menos família, menos amigos. Tenho menos vontade de marcar esta época como "especial" porque, se o é, deveria poder partilhá-la com quem quero, quando quero, e não é isso que acontece. Longe disso! Por isso, a resolução deste ano será o realismo: não tenho tempo, não tenho dinheiro, tenho poucas pessoas a quem me dedicar (e que merecem o meu tempo). É nisso que me vou concentrar. Sem dramas ou demagogias. Porque o tempo não pára nem volta atrás e temos de nos adaptar à realidade.

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